O Leite
Maio 22, 2007
O leite
Cada vez mais a população se consciencializa de que uma alimentação corretaé essencial para a obtenção de uma melhor saúde física e mental. Surgem portodo o lado lojas de produtos naturais e muitos supermercados têm uma seçãodenominada de produtos naturais e mais recentemente produtos biológicos.Somos alertados pelos órgãos de comunicação social para os perigos em queincorremos quando ingerimos gorduras saturadas sob a forma de carne vermelhae ovos, açúcar refinado ou álcool. No entanto, é interessante verificar queos lacticínios, em especial o leite, são sempre considerados alimento”perfeitos” e completos. Fornece-se gratuitamente leite às crianças em idadeescolar, existindo mesmo um subsídio estatal para o efeito. Desde muitopequenos nos ensinam que o leite é o rei dos alimentos e nos dá a proteína eo cálcio necessários para nos fazer crescer. Todos os dias nos são expostos estudos científicos sobre as vantagens dos lacticínios, estudos esses que não ousamos pôr em causa. Mas será que o leite e os seus derivados sãoalimentos tão benéficos quanto aparentam ser?
2) Estudos recentes demonstram que o leite além de não ser assim tãobenéfico para a nossa saúde pode ser até extremamente prejudicial. Aingestão regular de leite de vaca tem sido associada a uma multiplicidade dedesordens, que incluem alergias, asma, otites, problemas do sistemareprodutor tais como infertilidade e impotência, problemasgastrointestinais, agressividade, etc. Pesquisas realizadas nos EstadosUnidos, realçaram também o fato de que as crianças amamentadas com leitematerno apresentam coeficientes de inteligência bastante mais elevados doque aquelas que são alimentadas com leite de vaca e derivados. Não podemosmenosprezar tais estudos, realizados por eminentes cientistas em todo omundo. E nem sequer necessitaríamos da colaboração da ciência, seutilizássemos o nosso bom senso: qual o animal, excetuando o homem, quecontinua a beber leite depois de desmamado?
3) Porque razão nos devemos alimentar de um produto que foi concebidopela Natureza para nutrir os bezerros? Será que as característicasfisiológicas de um ser humano são as mesmas de um bezerro? Ao analisarmos asdiferenças entre o leite materno e o leite de vaca verificamos que, apesarde ambos parecerem semelhantes em composição, existem entre eles diferenças significativas: O leite de vaca contém três vezes mais cálcio , três vezes mais proteína e dois terços mais hidratos de carbono do que o leite humano.Estas diferenças são devidas aos diferentes padrões de crescimento a queobedece o crescimento de um bezerro e o de um bebê. À nascença, o cérebro eo sistema nervoso do bezerro estão completamente desenvolvidos, pelo queeste necessita de muito mais cálcio e proteína para aumentar a sua estrutura óssea e desenvolvimento muscular. O cérebro do ser humano, contudo, aquandodo nascimento, só está 23% desenvolvido, sendo os nutrientes contidos noleite materno necessários para completar o desenvolvimento do sistemanervoso central. Enquanto que um bezerro aumenta nas primeiras semanas cercade 37 quilos, um bebê, no mesmo espaço de tempo, aumenta apenas 1 a 2 quilos. O corpo do ser humano foi concebido para crescer mais lentamente e oleite humano contribui para este processo. Outra diferença, fundamental masgeralmente desdenhada, entre os leites humano e de vaca, é o tamanho ouqualidade das suas moléculas. O leite de vaca contém proteína e outrosfatores nutricionais que se podem assemelhar ao leite humano. Contudo, as moléculas do leite de vaca são maiores do que as do leite humano. Uma daspossíveis conseqüências de tais diferenças é as crianças alimentadas comleite de vaca se tornarem física e emocionalmente mais passivas edependentes. O leite humano também fornece anticorpos que evitam aproliferação de bactérias e vírus indesejáveis, imuniza o corpo contradoenças e infeções, promove glóbulos brancos fortes (células T que destroembactérias prejudiciais) e produz B. bifidum, um tipo único de bactéria, quese encontra nos intestinos dos bebês, criando resistência a uma variedade demicrorganismos. Já nos anos trinta estudos governamentais indicaram que ascrianças amamentadas com leite materno tinham um índice de mortalidadeinfantil significativamente inferior ao das crianças amamentadas com leitede vaca.
4) Existem também certos fatores nutricionais que não devemosmenosprezar ao considerarmos os lacticínios como alimento apropriado paraseres humanos. A proteína do leite de vaca e a do leite humano sãodiferentes: a primeira é denominada caseína, e a segunda lactalbumina.Apesar de o leite de vaca conter uma quantidade de proteína superior àcontida no leite humano, esta é de difícil assimilação pelo nosso sistemadigestivo, coagulando com freqüência e provocando problemas digestivos, dosquais o mais comum é a diarréia. A proteína do leite humano é de muito maisfácil digestão e assimilação. No que respeita a gorduras, as contidas noleite de vaca e em produtos como o queijo ou o iogurte são saturadas e dedifícil digestão, contribuindo para um aumento de colesterol e ácidosgordos, substâncias que estão diretamente relacionadas com a elevada incidência de doenças cardiovasculares e cancro.
5) Interessante também acerca dos lacticínios é o fato de a lactose,um açúcar simples contido no leite, necessitar para ser digerida de umaenzima produzida nos intestinos, denominada lactase. A lactase, geralmente,só é produzida até aos dois, quatro anos de idade, ou seja, durante a idadeda amamentação. Apesar de em algumas raças a lactase ser produzida mesmoapós os quatro anos de idade, isto acontece numa percentagem muito pequenada população, nomeadamente em povos que ingerem grande quantidade delacticínios há muitos anos, e cujos sistemas digestivos estão completamentetransformados, assemelhando-se aos sistemas digestivos dos ruminantes, criando mesmo uma espécie de rúmen característico destes animais.
6) Todos os pontos até aqui apresentados deveriam ser suficientes para nos fazer refletir se o consumo de produtos lácteos nos traz na realidadebenefícios ou não. Mas consideremos também o modo como o leite moderno étratado, e a forma como os animais são alimentados e medicados (alimentaçãoaltamente artificial destinada a fazê-los produzir a maior quantidade deleite possível e medicação com antibióticos para os tratar das infeções queesta alimentação lhes provoca.). Nos anos setenta, nos Estados Unidos, foifeita a experiência de alimentar alguns bezerros com leite comercial de vaca, verificando-se que todos eles morreram após algumas semanas. As conclusões a retirar da experiência são demasiado evidentes para que sejanecessário explicá-las.
7) Freqüentemente ouvimos dizer que os lacticínios são o principal detentor de cálcio, quando há muitos outros alimentos com quantidades de cálcio superiores, raramente mencionados, talvez por não estarem associados com este moderno mito e não darem tão grandes lucros aos seus produtores. Alimentos como os vegetais verdes de rama ou as algas marinhas, utilizados na alimentação tradicional de muitos povos e que possuem propriedades nutritivas assaz grandes, têm quantidades de cálcio mais que suficientespara satisfazerem as nossas necessidades diárias.
Além disso, é mais importante a forma como assimilamos o cálcio do que propriamente a quantidade ingerida. É interessante notar que os paísesdo mundo onde há uma maior incidência de osteoporose (enfraquecimento dosossos por falta de fixação do cálcio) são precisamente aqueles onde existeum maior consumo de cálcio na forma de lacticínios. Existem tribos naÁfrica, onde as mulheres ingerem quantidades diminutas deste mineral, têm em média 9 filhos, que são por elas amamentados, e morrem por volta dos 80 anos, com toda a dentição e sem qualquer vestígio de osteoporose. Estudos mais recentes indicam que a forma como metabolizamos o cálcio estádiretamente relacionada com a quantidade de proteína animal que ingerimos.Assim, uma alimentação com um elevado teor de proteína animal, como é a alimentação moderna, afeta o metabolismo do cálcio, fazendo com que estemineral seja eliminado através da urina ou utilizado para neutralizar umacondição sangüínea mais ácida provocada pelo excesso de proteína.
9) A resposta para a osteoporose seria então uma alimentação com muito menos proteína e não necessariamente uma ingestão maciça de cálcio.
Medicina faz mal a saúde?
Maio 22, 2007
O médico Vernon Coleman diz que os hospitais mais matam do que curam e que é preciso ser muito saudável para sobreviver a um deles
Por Sérgio Gwercman
Um selo colado na testa advertindo sobre os perigos que podem causar à saúde. Se dependesse do inglês Vernon Coleman, esse seria o uniforme ideal dos médicos. Dono de um diploma em medicina e um doutorado em ciências, Coleman abandonou a carreira após dez anos de trabalho para ganhar a vida escrevendo livros com títulos sugestivos do tipo Como Impedir o seu Médico de o Matar.
Autor de 95 livros, o inglês é um auto-intitulado defensor dos direitos dos pacientes. Em seus textos, publicados nos principais jornais do Reino Unido, costuma atacar a indústria farmacêutica – para ele, a grande financiadora da decadência – e, principalmente, os médicos que recusam tratamentos que excluam a utilização de remédios e cirurgias. Dono de opiniões polêmicas, Coleman ainda afirma que 90% das doenças poderiam ser curadas sem a ajuda de qualquer droga e que quanto mais a tecnologia se desenvolve, pior fica a qualidade dos diagnósticos.
Como um médico deve se comportar para oferecer o melhor tratamento possível a seu paciente?
Os médicos deveriam ver seus pacientes como membros da família. Infelizmente, isso não acontece. Eles olham os pacientes e pensam o quão rápido podem se livrar deles, ou como fazer mais dinheiro com aquele caso. Prescrevem remédios desnecessários e fazem cirurgias dispensáveis. Ao lado do câncer e dos problemas de coração, os médicos estão entre os três maiores causadores de mortes atualmente. Os pacientes deveriam aprender a ser céticos com essa profissão. E os governos, obrigá-los a usar um selo na testa dizendo “Atenção: este médico pode fazer mal para sua saúde”.
Qual a instrução que pacientes recebem sobre os riscos dos tratamentos?
A maior parte das pessoas desconhece a existência de efeitos colaterais. E grande parte dos médicos não conhece os problemas que os remédios podem causar. Desde os anos 70 eu venho defendendo a introdução de um sistema internacional de monitoramento de medicamentos, para que os médicos sejam informados quando seus companheiros de outros países detectarem problemas. Espantosamente, esse sistema não existe. Se você imagina que, quando uma droga é retirada do mercado em um país, outros tomam ações parecidas, está errado. Um remédio que foi proibido nos Estados Unidos e na França demorou mais de cinco anos para sair de circulação no Reino Unido. Somente quando os pacientes souberem do lado ruim dos remédios é que poderão tomar decisões racionais sobre utilizá-los ou não em seus tratamentos.
Você considera que os médicos são bem informados a respeito dos remédios que receitam a seus pacientes?
A maior parte das informações que eles recebem vem da companhia que vende o produto, que obviamente está interessada em promover virtudes e esconder defeitos. Como resultado dessa ignorância, quatro de cada dez pacientes que recebem uma receita sofrem efeitos colaterais sensíveis, severos ou até letais. Creio que uma das principais razões para a epidemia internacional de doenças induzidas por remédios é a ganância das grandes empresas farmacêuticas. Elas fazem fortunas fabricando e vendendo remédios, com margens de lucro que deixam a indústria bélica internacional parecendo caridade de igreja.
E o que os pacientes deveriam fazer? Enfrentar doenças sem tomar remédios?
É perfeitamente possível vencer problemas de saúde sem utilizar remédios. Cerca de 90% das doenças melhoram sem tratamento, apenas por meio do processo natural de autocura do corpo. Problemas no coração podem ser tratados (não apenas prevenidos) com uma combinação de dieta, exercícios e controle do estresse. São técnicas que precisam do acompanhamento de um médico. Mas não de remédios.
Receber remédios não é o que os pacientes querem quando vão ao médico?
É verdade que muitos pacientes esperam receber medicamentos. Isso acontece porque eles têm falsas idéias sobre a eficiência e a segurança das drogas. É muito mais fácil terminar uma consulta entregando uma receita, mas isso não quer dizer que é a coisa certa a ser feita. Os médicos deveriam educar os pacientes e prescrever medicamentos apenas quando eles são essenciais, úteis e capazes de fazer mais bem do que mal.
Que problemas os remédios causam?
Sonolência, enjôos, dores de cabeça, problemas de pele, indigestão, confusão, alucinações, tremores, desmaios, depressão, chiados no ouvido e disfunções sexuais como frigidez e impotência.
Em um artigo, você cita três greves de médicos (em Israel, em 1973, e na Colômbia e em Los Angeles, em 1976) e diz que elas causaram redução na taxa de mortalidade. Como a ausência de médicos pode diminuir o risco à vida?
Hospitais não são bons lugares para os pacientes. É preciso estar muito saudável para sobreviver a um deles. Se os médicos não matarem o doente com remédios e cirurgias desnecessárias, uma infecção o fará. Sempre que os médicos entram em greve as taxas de mortalidade caem. Isso diz tudo.
Muitas pessoas optam por terapias alternativas. Esse é um bom caminho?
Em diversas partes do mundo, cada vez mais gente procura práticas alternativas em vez de médicos ortodoxos. De certa maneira, isso quer dizer que a medicina alternativa está se tornando a nova ortodoxia. O problema é que, por causa da recusa das autoridades em cooperar com essas técnicas, muitas vezes é possível trabalhar como terapeuta complementar sem ter o treinamento adequado. Medicina alternativa não é necessariamente melhor ou pior que a medicina ortodoxa. O melhor remédio é aquele que funciona para o paciente.
Em um de seus livros, você afirma que a tecnologia piorou a qualidade dos diagnósticos. A lógica não diz que deveria ter acontecido o contrário?
Testes são freqüentemente incorretos, mas os médicos aprenderam a acreditar nas máquinas. Quando eu era um jovem doutor, na década de 70, os médicos mais velhos apostavam na própria intuição. Conheci alguns que não sabiam nada sobre exames laboratoriais ou aparelhos de raio X e mesmo assim faziam diagnósticos perfeitos. Hoje, os médicos se baseiam em máquinas e testes sofisticados e cometem muito mais erros que antigamente.
Você faz ferrenha oposição aos testes médicos realizados com animais em laboratórios. De que outra maneira novas drogas poderiam ser desenvolvidas?
Faz muito mais sentido testar novas drogas em pedaços de tecidos humanos que num rato. Os resultados são mais confiáveis. Mas a indústria não gosta desses testes porque muitos medicamentos potencialmente perigosos para o homem seriam jogados fora e nunca poderiam ser comercializados. Qual o sentido de testar em animais? Existe uma lista de produtos que causam câncer nos bichos, mas são vendidos normalmente para o uso humano. Só as empresas farmacêuticas ganham com um sistema como esse.
O que você faz para cuidar da saúde?
Eu raramente tomo remédios. Para me manter saudável, evito comer carne, não fumo, tento não ficar acima do peso e faço exercícios físicos leves. Para proteger minha pressão, desligo a televisão quando médicos aparecem na tela apresentando uma nova e maravilhosa droga contra depressão, câncer ou artrite que tem cura garantida, é absolutamente segura e não tem efeitos colaterais.
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