Para Ser um Terapêuta de Sucesso
Setembro 14, 2007
PARA SER UM TERAPEUTA DE SUCESSO
Deus é o seu comandante: seja ele Cristo, Buda, Krishna, Jeovah, não interessa. A Força Superior é o seu Yang. O Yin é o ego.
O ego somente deve existir para te fazer sonhar e para te manter de pé, mas o realizador de tudo é o Yang, que é a Força Superior. Transcender o ego significa que você deve tê-lo apenas para servir de sustentação de seus sonhos e a base dos aspectos materiais, mas o controle e o domínio são por conta de Deus, ou seja, pela sua centelha divina.
Terapeuta = Servidor de Deus. Deve estar bem definido no seu coração que seu trabalho é pelo outro, em prol do alívio do sofrimento humano. Servir a Deus ou à sua centelha divina.Faça um “pacto” com Deus ou quem você acredita: “… se o Senhor me der condições aqui embaixo, farei tudo; trabalharei dia a dia; todos os dias; providenciando e fazendo coisas daqui para cima…”.
Mas, uma vez prometido, deverá ser cumprido até que a Força Superior defina que é o momento de parar.
O mérito da cura é todo do paciente e de Deus ou Força Superior. Ter consciência de que a cura depende muito mais da fé do paciente e o seu compromisso consigo mesmo em querer a cura que com o procedimento terapêutico. Claro que uma boa técnica faz a diferença, mas você é somente um instrumento divino da cura ou um agente da compreensão dos por quês divinos das patologias. Se você não sensibilizar e mostrar ao seu paciente que ele tem que mudar internamente e que a causa primeira das doenças vem de um fator interno desarmônico, de nada valerão todas as técnicas.
Ousar. Ser ousado sempre, pois “para os olhos de Deus, não existe profissão mais nobre: um ano sem lixeiro e um ano sem médico dá o mesmo estrago, que é o problema. Portando se você é lixeiro, seja o melhor lixeiro da cidade. Se você é médico, seja o melhor médico”. Daí se conclui: sempre ouse.
Amar seu paciente como se ele fosse um pedaço do seu corpo. Na verdade ele é uma extensão de seu corpo. Se E=mc2, você é energia assim como o ar que respiramos, a comida que comemos e o paciente que tratamos. O que te diferencia do seu paciente é a referência do ego.
Acreditar que Deus paga seu salário. Verbalize isso todos os dias. O foco do tratamento nunca deve ser dinheiro, e sim o alívio do sofrimento humano e o bem estar das pessoas. Isso torna seu trabalho sutil e a resposta financeira vem como uma conseqüência natural. Dinheiro serve somente para ser gasto e nos dar conforto, pois se ele te manda, você estará fadado ao infortúnio. Lembre-se que à frente de um bom trabalho não se tem o que questionar: sucesso na certa.
Dedique parte do que você ganha para reinvestimento em estudo, ou seja, nunca pare de aprender. Conhecimento não ocupa espaço e ninguém te rouba. Você é o único que pode se boicotar.
Se cuide com o que você sabe, pois só vivendo em essência a Medicina Tradicional Chinesa é que nos tornamos verdadeiros terapeutas. Viver a cultura, os costumes, a escrita e as tradições, para que não passe por hipócrita ou algo do tipo.
Pratique todas as técnicas e recursos que a Medicina Tradicional Chinesa dispõem, para o seu bem estar de corpo, mente e espírito: “um cego não guia o outro”.
Reserve um tempo para o descanso completo na natureza, para recarregar-se energeticamente.
Nunca sonegue conhecimento. Você deve pensar que todo terapeuta veio ao mundo para aliviar o sofrimento humano, portanto quanto mais você passa o conhecimento melhor você será. O conhecimento não nos pertence, afinal de contas, o sol não escolhe para quem brilha.
Os outros terapeutas devem ser vistos como multiplicadores e não concorrentes.Você não é melhor que ninguém. Se está na matéria é para aprender, portanto, você não pode se esbaldar na posição do suposto saber e achar que paciente também não vai te ensinar. Abra os olhos e ouvidos, pois muitas vezes a voz silenciosa da Consciência Superior vem através também de atos e palavras de pacientes. O grande mestre é aquele que sabe que cada dia é um dia para aprender. Desenvolva a mestria frente ao ego.
Nunca se aproveite da fragilidade de seus pacientes para convence-los a estarem em tratamento (exceto se por real necessidade) , nem por qualquer outro objetivo.
Não só escute: ouça.
Não só enxergue: veja.
Não só fale: verbalize.
Não só aja: trabalhe.
Fé inabalável.
Leia tudo que for possível sem preconceitos e dogmas.
Honestidade, humildade, paciência e paz interna.
Que a Força Superior abençoe sua carreira.
Alexander da S. Assunção
Qi e Energia: Tradução, Tradição e Traição
Agosto 21, 2007
Dr. Marcus Vinicius Ferreira médico acupunturista
Trabalho apresentado no III Congresso da Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura Santa Catarina, outubro de 1996
A tradução dos termos pertencentes à Medicina Tradicional Chinesa (MTC) tem sido um dos fatores que dificultam a sua perfeita compreensão no Ocidente. Poucos acupunturistas tem a possibilidade de entender os ideogramas em seu sentido original, tendo que recorrer a traduções que não espelham fielmente o sentido encontrado em sua origem. Algumas destas traduções se tornaram clássicas, fazendo com que vícios de tradução fossem mantidos como verdade aceita, e transmitidos geração após geração de acupunturistas. Com o surgimento de sinólogos interessados em MTC, tornou-se possível o questionamento de alguns termos usados correntemente. Neste trabalho, iremos analisar como a tradução de “Qi” em “Energia” pode frustrar a real compreensão do sentido do ideograma.
Serão analisadas, em princípio, as origens e a formação etimológica do ideograma, seguindo-se a verificação do sentido deste ideograma em vários dicionários e compilações de ideogramas. Após o estabelecimento dos significados possíveis, inclusive comparando as opiniões dos sinólogos, passaremos a analisar as traduções constantes dos livros mais importantes sobre acupuntura, desde Soulié de Morant até a atualidade.
A Visão dos Dicionários
Somente uma das fontes consultadas [2] se refere ao termo “energia” como tradução para Qi, entre 31 (trinta e um) significados associados ao ideograma. Os significados mais comumente encontrados foram: air, atmosphere, breath, ether, essence, spirit, vapor, heart, feelings, disposition, temper, care, flavor [1,2,4]. Analisando a formação do ideograma, vemos que ele se compõe do radical Ch’i, cujo significado seria vapores que sobem do chão e formam nuvens acima [1] acrescentando-se ao radical o ideograma 3461 [2] significando “arroz”. A leitura final seria “o movimento de uma substância invisível” [3]. A versão para o japonês do termo “energy” nos leva a “seiryoku”( associação dos ideogramas 3480 e 715), e não até “ki” (ideograma 2480) [2,4].
J.Needham aponta a impossibilidade da perfeita tradução de Qi, preferindo citá-lo sem o traduzir. [12, 14]. M.Granet utiliza várias traduções, de acordo com o contexto onde é o termo é empregado [16-23]. O único sinólogo que insiste na tradução de Qi como “energia” é M.Porkert [40,41], no que é contestado diretamente por outros [14,26]. Alguns sinólogos mantém posições contraditórias, traduzindo Qi de formas diferentes em suas obras [5,6,7 e 12,13 e 14, 34-38]. Outros preferem definir Qi como um conceito, sem o traduzir [25,29,33]. Outros não chegam a uma conclusão quanto à definição (matéria? energia?) e à tradução [25,37 e 38]. Uma explicação do termo aplicada à MTC se encontra em P.Unschuld [28]. O significado mais comumente encontrado é breath (air) [7,24,28,30-32,37,38] ou souffle [16-23]. Alguns sinólogos contestam explicitamente o uso exclusivo de “energia” como tradução para Qi. [14,25,26,28].
S.de Morant define Qi como um “fluide”, “influx”, que traduz “faute de mieux”, por “énergie”. Notamos aí que a palavra “énergie” é utilizada textualmente por falta de um termo que possa melhor traduzir o sentido original do ideograma, sentido que não era desconhecido por S.de Morant [42]. A Escola Francesa que se desenvolve à partir daí passa a se referir ao Qi definitivamente como “energia”, sem quaisquer questionamentos quanto à validade desta tradução [43,44,46]. Uma alteração no termo empregado vai ser encontrada eventualmente em Huard et als.(souffle vital)[45] e C.Larre e E.de la Vallée (souffle)[56]. Somente B.Auteroche e P.Navailh se referem à multiplicidade de traduções para Qi e adotam as possibilidades “Qi, sopro e energia” em seu texto [55]. Note-se que mesmo Van Nghi, apesar de sua origem oriental (vietnamita) cede ao uso de “energia” [44]. Y.Manaka e I.Urqhart também utilizam “energia” relativamente a Qi [47], o que demonstra não ser a tradução um problema exclusivamente encontrado nos autores ocidentais. “Essentials…”, produzido em inglês na China, traduz como “vital energy” [54]. M.Porkert, escrevendo não como sinólogo e sim como praticante de acupuntura, passa a definir Qi como “a particular “constellation” of energy” [52]. T.Kaptchuk, J.O’Connor e D.Bensky assumem a impossibilidade de tradução adequada para Qi [49, 53]. Maciocia igualmente aponta a dificuldade de traduzir corretamente Qi, afirmando “…I have chosen to left it untranslated…” [58], mas cede ao costume e, na mesma obra, páginas adiante, qualifica Qi como “energia” [59-61]. J.Ross usa “Energia” em sua obra, mas, contraditoriamente, afirma “…o Qi tem atributos tanto energético quanto material.” [57].
O uso exclusivo de “energia” como tradução para o termo Qi pode levar à incompreensão de todos os significados implicitos do ideograma. Dependendo do contexto onde é empregado, o significado real pode diferir sensivelmente, e consagrar uma tradução do ideograma em detrimento das outras possíveis faz com que o sentido do texto se torne fora do alcance, especialmente dos praticantes da MTC que não possuem noções da escrita chinesa. Ainda mais grave é a deturpação do sentido em que se emprega a palavra “energia”, que em algumas situações adquire significação completamente diversa da encontrada nos textos chineses, até mesmo indo contra as bases culturais de onde se origina o termo Qi. Muitas vezes encontramos sentido de concretude onde a intenção do ideograma era abstrata, dando origem a termos questionáveis como: diagnóstico energético, patogenia e patologia energéticas, etc. É interessante notarmos a razoável incidência da expressão “energia vital” ou “força vital” como tradução para Qi [13,34,36,38,45,54], o que nos leva a supor ter havido influência do Vitalismo (doutrina que teve alguma importância do séc.XVII até o início deste século e que influenciou fortemente a homeopatia) no processo de incorporação da acupuntura à cultura ocidental.
A Visão dos Dicionários
1) radical 84 : Ch’i Curling vapours rising from the ground and forming clouds above; dando origem ao ideograma que nos interessa: Ch’i (ou Qi) Vapour ascending from boiling rice. [pág.241] Ch’i (ou Qi) Air; ether; vapour; spirit; temper; feelings; the fate. [pág.506] Ch’i (ou Qi) Air; ether; vapour; spirit; temper; feelings; the two principles; the fate. [pág.576] [Chinese Characters: L.Wieger; Dover, 1927, reprinting 1965]
5) Chhi : pneuma, subtle matter, matter-energy [Pág. 660]
42) “Les Anciens, ayant constaté l’existence du “quelque chose”qui passe dans un méridien quand un point est excité, donnèrent à ce fluide, à cet influx, le nom de Tsri, que nous traduisons, faute de mieux, par le mot énergie. C’est le “Prana” des Hindous. L’ideogramme que les Anciens inventèrent est composé des éléments figurant “la force de la vapeur soulevant le couvercle d’une marmite où bout du riz”. Il est employé couramment pour exprimer: 1-la vapeur; 2-la force, l’énergie; 3-la respiration, le souffle, et par extension, la vie; 4-la colère; 5-l’influx nerveux; 6-dans les temps récents, l’influx électrique et 7- les ondes de T.S.F. …” [pág. 69] [L’Acuponcture Chinoise: George Soulié de Morant; Librairie Maloine, 1972 (1939)]
Taoismo
Junho 1, 2007
Embora seja normalmente associado à figura do sábio Lao-Tsé, o Taoísmo é bem mais antigo. Lao-Tsé é uma figura tanto histórica quanto mítica, mas os historiadores acreditam que ele tenha nascido por volta de 600 aC. Segundo a lenda, sua mãe trouxe-o no ventre durante mais de 80 anos, de modo que, ao nascer, Lao-Tsé já era um velho, o velho menino, como é chamado. Filósofo místico despojado, com a serenidade e a suavidade como características principais, é a ele que atribui-se a autoria do Tao Te Ching, um dos livros mais conhecidos do Taoísmo. Hoje, no entanto, os estudiosos acham que, quando o velho menino nasceu, o Taoísmo já era uma religião muito antiga e tradicional. Ele não foi o primeiro filósofo taoísta, e nem o único. Durante a vida de Lao-Tsé, depois dele e, principalmente, antes que ele surgisse no mundo, muitos outros filósofos pregaram as maravilhas e a sabedoria do Tao.O Taoísmo teria surgido na época do semi-lendário Huang-ti – o Imperador Amarelo, um dos cinco imperadores sábios da China, que precederam o Império Chinês e o constituíram. Segundo se conta, Huang-ti – que viveu há quase 3000 anos antes de Cristo – estudou profundamente a natureza, suas leis e mistérios. De seu conhecimento, ele deu aos homens o arado, as artes da manipulação do fogo, o tear e outras técnicas valiosas. Mas a mais importante descoberta do Imperador Amarelo foi a conquista da imortalidade. Daí, Huang percebeu o Tao (caminho), que é um conceito muito abstrato; algo que está por trás de tudo o que existe, mas que não pode ser definido.A religião taoísta é uma espiritualidade de simplicidade e conhecimento. Para os taoístas, o Tao expressa-se por meio dos elementos opostos Yin e Yang, que formam todo o Universo, visível e invisível. Quando esses elementos estão em desarmonia, sobrevêm a doença, o sofrimento, a violência e a infelicidade. Os devotos procuram, portanto, viver em harmonia, sem aspirar demais às coisas e procurando deixar que o Tao, através de suas manifestações Yin e Yang, expresse-se suavemente através de si mesmos.Há diferentes maneiras de se praticar o Taoísmo. A maior parte delas baseia-se em elementos exotéricos, de prece e devoção, o que constitui a base de toda a vida religiosa e cultural chinesa. A alma chinesa é taoísta por excelência. Desde as artes plásticas às artes marciais, a medicina, o comer e o beber, até a própria revolução socialista de Mao-Tsé-Tung, tudo na china está carregado do simbolismo Tao.Mas há o lado esotérico do Taoísmo, baseado nas práticas do autoconhecimento, nos exercícios psicofísicos e na alquimia espiritual. Desse lado interno da filosofia taoísta nasceram muitas práticas que hoje são conhecidas em todo o mundo, como o Tai-Chi-Chuan, o Chi-Kum, a Acupuntura e a Medicina Chinesa, e o Feng Shui, entre outros. A maior parte dessas práticas já alcançaram hoje quase todo o mundo ocidental, sendo que algumas têm sido comprovadas e adotadas pela ciência contemporânea. O Taoísmo está hoje dividido em várias escolas, que enviaram missionários pelo mundo, para propagar a sua filosofia.Assim como o Taoísmo, todas as religiões históricas têm muito de sabedoria para nos oferecer. Clique abaixo para conhecer um pouco da sabedoria das principais religiões do mundo.